Treinar o Jacobina é um recomeço na sua carreira?
Na vida,
estamos sempre recomeçando. É uma experiência nova para mim e estou muito
motivado com o projeto, que tem como objetivo ficarmos entre os quatro
primeiros colocados do Campeonato Baiano. Além disso, eu precisava sair do Rio,
buscar novos ares e achei que era o momento de recomeçar.
O que pesou mais na hora de aceitar o convite?
Eu passei
a vida toda viajando como jogador e técnico. Saí muito novo de casa, passei
dois anos na Venezuela, na Roma, fora do Brasil. Depois, mais para o fim da
carreira, rodei o Brasil inteiro e cheguei a ir para Mato Grosso, Maranhão,
Espírito Santo. Minha vida sempre foi andando muito e minha família foi
muito sacrificada, então eu nem vi meus filhos crescendo. Esse é o lado
negativo da vida no futebol. No entanto, a minha vida é isso. Eu gosto de
aventuras, desafios. Vivi a vida inteira baseado nisso e vir para o Jacobina
foi mais um desafio que eu quis aceitar.
Você começou a carreira no Flamengo, sendo campeão brasileiro em
2009. Por que não continuou em times de ponta?
Na
verdade, o que aconteceu em 2009 é que, logo depois de eu ser campeão
brasileiro, houve eleições no clube. Na época, aconteceu o inesperado e o
presidente Delair (Dumbrosck) não foi reeleito. Para a nossa surpresa, a
Patrícia Amorim ganhou e ela decidiu trazer o pessoal dela, as pessoas de
confiança. Acabei saindo e existiu muita sondagem e até especulações para fora
do país, mas nada daquilo era concreto.
Há muitos flamenguistas no interior da Bahia. Houve muito assédio
desse público?
É
engraçado, porque quando encontro um flamenguista na rua, eles sempre falam
comigo. Na semana passada, decidi passear no Pelourinho e até torcedores de
Bahia e Vitória me abordaram, reconheceram, pediram uma foto. Isso eu acho
muito interessante, porque vim de outro estado e estou sendo reconhecido. É
fruto do trabalho que realizei durante muitos anos.
Dá pra superar o favoritismo de Bahia e Vitória?
Falando
de Campeonato Baiano, Bahia e Vitória sempre serão favoritos e já sairão na
frente, não tenho dúvida nenhuma disso. Só que nós estamos montando um time
para jogar de igual para igual. Reconheço, sim, o favoritismo deles, até pela
estrutura que possuem, por terem uma base do ano passado, mas vamos competir
sem medo. Nosso investidor (Manassés) foi muito claro ao me convidar e dizer
que me daria um time com condições para ficar entre os quatro melhores.
Quem é a estrela do time?
Não tem
ninguém muito conhecido no futebol baiano. Mas acredito que Ananias, que é um
garoto que veio de Portugal, Dinda, um meia que chega junto, o lateral-esquerdo
Felipe, que veio do Rio, e o próprio Balu podem se destacar e encontrar
oportunidades em times grandes.
Muitos atletas do interior usam o Campeonato Baiano como vitrine
para chegar a um time maior. Você, como treinador, também tem essa pretensão?
Todo
profissional que passa por aqui almeja uma contratação por parte de Bahia ou
Vitória, os dois times de ponta da Bahia, que trazem visibilidade grande no
futebol. Então, como todo profissional, claro que gostaria de trabalhar nessas
duas equipes.
ENTREVISTA CONCEDIDA AO PORTAL IBAHIA